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História
e Histórias sobre Carregar o Bebê Autora
Evelin Kirkilionis
Analisando-se
as condições das ruas no Cairo, o trânsito e o ar poluído
– percebe-se que não é milagre não encontrar pais com crianças
pequenas e principalmete bebês à passeio.
Mesmo os modelos mais radicais/sofisticados de carrinho
de bebê estariam sobrecarrgados considerando-se a corrida de
obstáculos por cima de quase meio metro de altura de meio fio,
a aparência de pista de moto-cross das calçadas e as corridas
para atravessar uma rua. Nas
horas no fim da tarde, incicio da noite, porém, podem ser
encontrados alguns pais que passeiam com seu bebê, na maioria
das vezes no colo do pai. Vez ou outra, também podem ser vistos
carregadores tipo canguru introduzidos na Europa, nos quais bebês
podem ser carregados aconchegados ao
corpo dos pais. Então, uma nova idéia vindo da Europa
também é incorporada aqui no cuidado das crianças?
Não, não é bem assim, o
fato de se carregar o bebê até que é um habito antigo.
Claro, todos nos já vimos reproduções de diversas culturas
africanas ou asiáticas, mostrando mães carregando seus bebês
presos com panos nas costas ou no quadril.
Então, utilizamos o método de cuidar de bebês,
praticado nestes paises e o transportamos para os cuidados
modernos dos bebês e que também no Cairo está se espalhando
aos poucos?
Poderíamos
dizer que também não, se analisarmos os hábitos de cuidados
com crianças nos tempos antigos. Também no “velho Egito”
parecia ser costume carregar as crianças. Foram achados relevos
em pedras retratando crianças em slings ou sentadas em cestos.
Na Europa também existe uma longa tradição de se carregar
crianças, só nos esquecemos disto; aos poucos o assunto foi
desacreditado – em parte bem mal intencionado.
Os bastidores disto, principalmente na Alemanha, valem a
pena serem investigados e entendidos. Pois o assunto
"carregar" demonstra claramente o quanto a educação
é orientada e influenciada por interesses sem preocupação com
as necessidades das partes – ou seja, dos pais e
principalmente, das crianças.
O Japão representa um exemplo infeliz de como uma tradição
fundamental (no sentido antiga e primária) pôde ser substituída
por algo supostamente mais moderno. No curso de costumes
progressistas nos cuidados com os bebês aboliu-se cada vez mais
o carregamento de bebês – com o resultado de um aumento
significativo das chamadas displasias inatas do quadril.
No
primeiro instante, os carregadores tipo canguru parecem ser um
progresso, - principalmente comparados com as tecnicas de amarração
mais complicadas de um wrap;sling, - descomplicados no manuseio,
podendo ser adaptados rápida e simplesmente à diversas situações.
Porém não resistem à um olhar critico, principalmente o que
concerne aos fatores corporais do bebê.
O
assunto "carregar" não se restringe somente à
detalhes históricos. De um lado, certamente é uma discussão
atual diretamente relacionada aos métodos de se carregar bebês; pelo
outro lado, envolve métodos de educação e comportamento nos
cuidados com bebês e também envolve o relacionamento entre
pais e bebês, fatores anatômicos e o próprio comportamento do
bebê. Até na
historia inicial/tribal da humanidade encontramos registros
disso. O assunto
"carregar" está presente em quase toda a história
global do desenvolvimento infantil.
A
tradição de Carregar e Não-Carregar na Europa
O
carrinho de bebê foi inventado no fim do seculo 19 e
socializado pela rainha Victoria. A
chegada deste veiculo em cima de rodas nos cuidados de crianças
foi uma consequência lógica da então prática usual das
camadas sociais elevadas de deixar os cuidados das crianças a
cargo de amas e babás, em parte até totalmente fora do próprio
círculo familiar. Não
ter que precisar se preocupar diretamente com os cuidados com as
crianças era sinal de posição social melhor, sendo que a
familia dispunha de bastante empregados para cuidar dos filhos.
O carrinho passa a ser um símbolo da distância então
costumeira entre pais e criança nas tais chamadas camadas
sociais melhores. Mas
como as familias não tão abastecidas se viravam com os
cuidados das crianças? E também antes da “época” do
carrinho, como as crianças tinham que ser transportadas? As
anotações históricas, também na historia da arte e cultura,
muitas vezes omitiam o modo de viver de familias mais pobres. Nossos
conhecimentos de épocas passadas na cultura espelham
principalmente os costumes de camadas sociais mais altas. Mas,
vez ou outra, encontramos em antigas representações motivos e
fatos da vida dos camponeses ou – pelo menos como aspécto
parcial – também da vida de familias mais pobres.
Existem
ilustrações de mães com bebês dentro de slings. Econtramos até bolsas de carregar parecidas com as modernas.
Uma pintura datada no final da idade media numa capela italiana
mostra a sagrada familia na fuga do Egito. Alguns dos aspectos
representados devem corresponder à situação daquela epoca.
Então, na idade média possivelmente era costume que mães –
como a Maria representada na pintura – carregassem seus bebês
num pano feito sling. O
que significa que existem algumas provas do fato que o carregar
crianças com certeza era um antigo costume na Europa.
É
um fato triste precisarmos recorrer à tais reproduções para
visualisarmos uma tradição válida até o inicio do século
20, de sempre levar junto ao corpo crianças durante o seu
primeiro ano de vida. Muitas vezes todas as mulheres de uma
familia participavam disto, além da mãe e tias, também irmãs
mais velhas dessa criança.
Provavelmente, carregar os bebês era costume e também
necessidade nas regiões
do campo. Isto, porém, muitas vezes tinha uma conotação de
probreza e de status inferior na sociedade. Mesmo hoje em dia,
muitas mães que gostam de carregar seu bebê enfrentam a
pergunta se não poderiam adquirir um carrinho de bebê. Mas, as
roupas bem cuidadas (das mães ou pessoas encarregadas de
carregar a criança) representadas em algumas pinturas antigas
contradizem esta conotação, mesmo que o fato de carregar os
bebês por pais em andanças, muitas vezes os mais pobres, era
o mais importante. Só isoladamente encontramos hoje
ainda relatos sobre os métodos de carregar bebês ou aprendemos
algo sobre isto pelo que contam os mais velhos da geração
passada. E estas lembranças terminam na Alemanha nos anos 30/40
do século passado.
O
Nacional-socialismo – A Educação embrulhada na Ideologia
A
idéia de que uma criança deve ser acostumada desde cedo às
exigencias da sociedade e educada de acordo, não era uma invenção
nova do nacional-socialismo, porém alcançou nesta epoca um nível
especial. Imediatamente
após o nascimento iniciava-se esta educação sob a bandeira de
não mimar a criança, de fortalecer o organismo pequeno
contra as interpéries do clima e da disciplinação
precoce. Os principais conselheiros de educação
desta época desaconselhavam o contato corporal
excessivo, mesmo a troca e fralda e o banho deviam ser feitos
rapidamente, nada de “brincar” e “gracejar”. Um bebê
devia ser retirado do berço muito pouco, berço este que
deveria ficar num quarto separado, e a criança deveria ser
carregada o mínimo possivel.
Principalmente os avôs eram observados de perto porque
pareciam ter a tendência abominável de dar muita atenção às
crianças, pegá-las no colo e carregá-las, ocupando-se com
elas e desta forma, mimando-as
demais.
Já
na primeira semana de vida, a amamentação pontual e regulada
pelo relógio era visto como início decisivo da educação de
uma criança, e também valia aqui manter um mínimo de contato
corporal e um tempo estabelecido para mamar. Se o bebê demorava
ou se dispersava, deveria se terminar imediatamente a amamentação.
De qualquer forma, o bebê só tinha 20 minutos a disposição
para mamar, para que “aprendesse” desde cedo que tinha que
se adaptar a regras fixas e obedecê-las. O livro “A Mãe Alemã
e seu Primeiro Filho”, de Johanna Haarer, foi editado em 1934
(nota da tradução: como pode um comportamento tão contra a
natureza ser tão rescente) e alcançou aos poucos uma divulgação
enorme. As idéias do livro correspondiam aos interesses do
governo nacional-socialista, de forma que o livro foi usado como
meio de influenciar o povo. Sua divulgação maciça era por
isto uma consequência, representava o desejo de influenciar os
cidadãos desde a tenra idade (Chamberlain 1997).
Surpreendente, porém, é que este livro continua sendo
editado mesmo depois de 1945, ainda que com o titulo modificado
para “A Mãe e seu Primeiro Filho”.
A ultima edição, ainda que revisada, foi lançada em
1987.
Assim
como o livro mantinha-se valido na Alemanha pós-guerra, também
algumas regras de cuidados com o bebê permaneciam, uma vez
introduzidas, nas famílias.
Mudanças sem discussão consciente precisam de tempo.
Assim, é possivel que o medo de mimar demais um bebê e
cair numa armadilha de educação, inconscientemente foi
transferido daquela epoca para a atualidade. Hoje são os avôs
que observam desconfiadamente as mães permissivas que
aparentemente pegam os pequenos no colo no primeiro sinal de
choro e os carregam. Do
mesmo jeito, sobreviveu o ponto de vista que o melhor lugar para
dormir era num quarto separado, no berço próprio, e que
somente poderia se conseguir um ritmo regular de mamar e dormir
com as regras dadas pelo responsável pelos cuidados – crença
esta assustadoramente valida ainda hoje em nivel profissional,
ou seja, nas áreas de berçarios e creches.A questão onde
termina a satisfação de necessidades verdadeiras de um bebê e
onde começa o mimar, necessita ser esclarecida com urgência
crescente. Uma pequena excursão pela biologia de comportamento e
historia tribal humana pode ajudar no esclarecimento.
Historia
Tribal & Historia da Ciência: O
“Desenvolvimento” do Bebê desde o "Nesthocker"
para o "Tragling"
Nota
da tradutora: As
seguintes explicações ajudam na compreensão dos
termos contidos no texto abaixo:
Na biologia, há tres tipos de filhotes:
l.
Nesthocker – filhote que geralmente nasce pelado, olhos
fechados, dependente,
pouco desenvolvido;
2.
Nestfluechter – amadurecimento corporal antes do
nascimento, dentro do útero,
segue a mãe sozinho;
3.
Tragling – filhote que ainda não se move sozinho,
exemplo: gorila.
O tragling
passivo se deixa carregar (ex. canguru), o tragling ativo
segura-se ativamente por reflexo ao carregador,como o macaco.
Hoje,
na biologia um bebê humano é classificado como tragling.
De jeito nenhum isto foi sempre assim. O bebê passou por
um desenvolvimento bem movimentado. Denominado inicialmente como
nesthocker (Portmann l944/96), virou tragling
passivo (Hassenstein 1970) até
que no final dos anos oitenta “cresceu” para ser tragling
ativo; como tal adaptou-se ao modo de ser carregado pelo
comportamento, pelas singularidades motoras e de anatomia e
também pela participação
ativa (Kirkilionis 1989).
Durante todo este tempo os pais que gostavam de carregar
os bebês tinham que se defender contra muitas objeções.
Muitas vezes tinham que se defender na rua contra objeções bem
agressivas emitidas até por pessoas estranhas. Principalmente a
opinião de que a coluna dos bebês podia ser danificada parece
ser indestrutível. Como
também a que, de tão enrolados, os bebês sofreriam de falta
de oxigênio. O que, aliáis, explicaria porque os pequenos, ao
serem carregados, ficariam tão quietos, eles simplesmente
estariam cansados e perto de sufocar. Uma opinião formada pela
ignorância sobre assuntos fisiológicos.
O que então relaciona o nesthocker e o tragling
concretamente com o assunto "carregar"?
Estas duas denominações não são somente uma
classificação. São, isso sim, representantes para diferentes
caracteristicas de carga comportamental, referente à anatomia,
na idade de rescém-nascido e bebê que, no decorrer da evolução,
cristalizaram-se como adaptação às condições de vida de
cada especie.
Na
biologia, dividem-se os rescém- nascidos das diversas
espécies de animais, inclusive o homem, naturalmente, em
três tipos básicos: nesthocker, nestfluechter e traglinge.
Nesthocker, por exemplo são filhotes de camundongos, são
colocados num ninho sendo que a mãe os deixa sozinhos até por
longos periodos. Consequentemente,
o teor de gordura do leite é relativamente alto.
Os filhotes não conseguem se movimentar muito, os olhos
e ouvidos estão fechados. Tipicamente
são pelados e precisam do calor e da proteção de um ninho.
Nestfluechter como potrinhos entretanto, podem
seguir a mãe logo após o nascimento. Diferenciam-se, pois
completamente dos Nesthocker, tanto fisiologicamente como pela
antomia. Eles podem
ouvir, ver, cheirar, são cobertos por pêlos de acordo com sua
especie: desde o inicio, movem-se de forma perfeita e
coordenada. Com
menos de uma hora de vida não saem de perto da mãe.
E também a mãe mantém o contato.
Os
Traglinge como por exemplo filhotes de macaco não
conseguem seguir a mãe, mas também nascem bem desenvolvidos.
Seus orgãos dos sentidos são aptos para funcionamento e a
pelagem está de acordo com sua espécie.
Conseguem segurar-se com mãos e pés no pêlo da mãe.
Este agarramento no pêlo da mãe é apoiado por fatos anatômicos
e fisiológicos. A
forma dos braços e pernas, levemente dobrados, possibilita
um jovem gorila de se agarrar no pêlo da barriga da mãe
e encontrar assim um recanto protegido.
No primeiro tempo de vida, um filhote de macaco está em
contato constante com o corpo da mãe. Ser
deixado em algum lugar sozinho significa em condições naturais
uma situação perigosíssima. Pois sob condições normais uma
mãe não deixa seu filhote em algum lugar sozinho, isto pode
significar que o filhote foi abandonado. Já
que os filhotes de todas as especies de macacos –
especialmente interessantes são aqui naturalmente os primatas
como nossos parentes mais proximos – são classificados como traglinge,
não há dúvida pelo ponto de vista da historia tribal: os
primeiros ancestrais pertencentes ao homem carregavam seus
filhos consigo.
As
estimativas de idade dos primeiros achados antropológicos são
de aprox. 4,5 milhões de anos.
Mas também para os nossos ancestrais diretos
era indispensável, por causa do seu modo de vida,
levar os bebês constantemente consigo.
Porque a vida como caçadores e colecionadores
significava que a tribo ficava constantemente em movimento e não
podia “depositar” os filhos em algum lugar.
Somente há 10.000 até 12.000 anos atras, quando o homem
fixou-se em determinados lugares, oferecia-se a possibilidade de
deixar a prole temporariamente em algum lugar seguro.
Porém, não há possibilidade de adaptações
geneticamente manifestadas pelas condições de vida modificadas
dentro deste curto espaço de tempo da historia humana.
Mesmo
que isto não é do agrado de alguns, somos ainda adaptados pelo
nosso comportamento à vida de caçadores e colecionadores em
grupos pequenos, controlaveis.
Atualmente, ainda existem culturas nômades ou semi-nômades
que fornecem recursos para imaginarmos a vida na antiguidade.
Nestas culturas, os bebês têm contato corporal
constante com uma pessoa de referência conhecida, panos,cestos
e faixas ajudam nesta tarefa. Para um bebê humano de hoje isto
significa uma adaptação na forma de ser carregado, 4,5 milhões
de anos de duração contra um número insignificante de dezenas
ou centenas de anos, durante os quais os pais transportam seus
filhos longe do corpo dentro de carrinhos de bebê e tentam fazê-los
dormir em um quarto separado.
Incluimos
a nossa historia tribal pré-humana, podemos falar de uma duração
de adaptação ao carregar de 50 milhões de anos. Perante este
quadro fica compreensivel que um bebê, colocado num quarto
quieto, separado, para dormir, faz exatamente o contrário
daquilo que os pais esperam dele. Geralmente ele começa a
chorar com força, uma vez
que o ambiente para pegar no sono é adequado para
adultos, porém não para rescém-nascidos, e não corresponde
às suas necessidades. Um
bebê percebe a solidão como abandono e precisa, por isto,
fazer de tudo para chamar – pelo choro – uma pessoa para
cuidar dele que oferece a segurança que ele necessita.
Certamente ele pode se acostumar ao fato que ninguem aparece
quando o medo de estar abandonado o faz chorar. Mas ele não
entende que sua vida não está numa situação de perigo. Ele só
percebe que está sendo negada a satisfação de sua necessidade
básica de ter a presença de uma pessoa de referência, o que
influenciará o desenvolvimento emocional e a construção do
relacionamente de união de pais-filho. Eventualmente
com seis meses, seguramente, porém, aos nove meses, o
desenvolvimento cognitivo da criança amadureceu a ponto de ela
poder entender que algo continua existindo mesmo que ele não vê,
não consegue cheirar, ouvir ou sentir. Desta forma, somente
nesta fase a criança saberá ao certo que seus pais não a
abandonaram e continuam cuidando dela, mesmo que ela não os vê.
O
bebê humano – adaptado de diversas formas a ser carregado
A
idéia que o bebê humano deveria ser classificado como
Nesthocker, como continua sendo divulgado, contradiz não só a
necessidade do bebê por sinais regulares de presença.
Diversos aspéctos de comportamento, características
anatômicas etc. não deixam mais dúvidas sobre isto.
O baixo de teor de gordura do leite materno, por exemplo,
requer uma amamentação em periodos relativamente curtos. O
efeito pacificador da chupeta é compreensivel já que, nas
condições de vida originais, os bebês tinham acesso
permanente ao seio da mãe. Há séculos os pais simulam o ser carregado embalando o bebê
no berço e se beneficiam assim com o efeito do acalmamento pela
sensação de movimento. A chupeta e o berço são os plágios,
o bico do seio e o ser carregado o original.
Os
fatos anatômicos ganham um significado especial porque aqui aspéctos
de saude têm um papel importante.
Carregar um bebê no quadril faz com que a cabeça do
femur fica numa posição ideal pela colocação das pernas
levemente dobradas e afastadas. A cabeça do fêmur se ajeita à
cavidade do quadril e promove o desenvolvimento saudável deste.
Uma perna esticada, porém, provoca uma sobrecarga na
cavidade do quadril, provocando assim uma diplasia.
Na
posição acocorada os bebês podem se agarrar com a perna
inteira e estabilizar assim a posição de sentar no quadril.
Com cada passo da mãe e a cada movimento da criança
transpôem-se estímulos leves para as juntas do quadril o que
aumenta a circulação sanguinea destas estruturas ainda
cartilagenosas e em desenvolvimento.
Em adição, isto favorece o amadurecimento normal do
quadril infantil. Desta
forma, consegue-se sem esforço uma profilaxia adequada contra
uma a displasia do quadril.
Comparamos a posição das pernas de uma criança sentada
no quadril com as adaptações que normalmente são feitas
durante o tratamento medico quando já existe uma displasia do
quadril, veremos que os valores são quase identicos:
Num tratamento terapêutico, as coxas devem ser dobradas
no minimo em ângulo reto, no maximo em 110o. Ao
mesmo tempo procura-se obter um ângulo de afastamento de 60 a
90o , 120o maximo. Sentado no quadril, as
perninhas da criança são dobradas em angulo reto ou até mais
(até 100o), o ângulo entre as coxas fica entre 64o
e 96o, na média a 90o.
Esta posição dobrada e afastada das pernas pode parecer
cansativa pelo ponto de vista de um adulto.
Mas um bebê está adaptado a este modo de sentar pela
posição do quadril e da coluna que difere da dos adultos, e
por outras caracteristicas fisiológicas. Mesmo resc~em nascidos
podem ficar sentados bastante tempo nesta posição de cócoras
com pernas afastadas e dobradas, mesmo que inicialmente eles não
se agarram tanto e sim quase que deitam as perninhas no corpo de
quem os carrega. Especialmente nos momentos quando os bebês se ocupam
intensivamente com algum objeto eles podem permanecer nesta posição
deitados de costas por minutos sem deitar as perninhas.
Já foram contados até 30 minutos com crianças de seis
meses, impensável para adultos sem controle voluntário.
Mesmo o adormecer nesta posição é possivel sem
problemas. Assim
vemos que bebês, pelas condições corporais especiais,
são adaptados a esta posição e ao ser carregado. Também
sua reação, sendo levantados, sublinha isto:
Assim que perdem o contato com o piso, se preparam para
uma posição corporal adequada para sentar no quadril.
Promover
o desenvolvimento infantil
Hoje
não há mais dúvida sobre a importância do contato corporal
para o desenvolvimento infantil. Abraçando e acarinhando um bebê,
transmite-se para ele informações intensivas de proteção e
aconchego. A percepção pelo tato é um dos mais fortes canais
de comunicação dos quais um bebê dispõe.
Este estimulo é indispensável para o desenvolvimento
normal de uma criança.
Já
existe uma infinidade de pesquisas, principalmente com bebês
prematuros, que comprovam os efeitos – quase milagrosos –
que percepções intensivas de tato podem ter no desenvolvimento
geral da criança. Mas
não é só esta percepção de tato é transmitida a um bebê
quando é carregado.
Aconchegado aos pais, pode ouvir suas vozes e os
batimentos cardiacos, sentir o cheiro familiar e, claro, – um
sentido muitas vezes subestimado – ver as feições dos rostos
dos pais. Praticamente todos os sistemas dos sentidos são
estimulados. E
estimulo significa desenvolvimento contínuo e incentivo. No
contato direto com a “base de segurança” os pequenos podem
– quando acordados – observar o mundo com atenção,
contatar outras pessoas. Ou
então, quando cansam de estimulos novos, podem se voltar para
os pais por vontade própria e eventualmente até dormir na
confiança de que a base de segurança está tão perto.
A
União-Pais-Filho
Ser
carregado corresponde ás
necessidades infantis de muitas maneiras. O fato de que bebês
carregados choram menos, são mais contentes e atentos quando
acordados, se desenvolvem melhor, reflete também no
relacionamento de pais-filhos.
Pais de primeira viagem que muitas vezes tem nenhuma ou
bem pouca experiência no trato com bebês são muitas vezes
inseguros. Carregando
o bebê perto do corpo facilita aos pais interpretar as
necessidades do bebê corretamente. No contato corporal direto,
muitas mães percebem logo se o bebê vai acordar ou tem que ser
amamentado, se precisa ser feita a troca de fraldas, se o bebê
está ativo ou está se cansando.
Podem, assim, se ajustar em tempo às necessidades do bebê
e iniciar os preparativos. Desta forma há uma forte redução das fases de irritação
e choro, as necessidades da criança são logo atentidas. Um bebê
entende desde o inicio que os pais compreendem seus sinais
reagindo de imediato. A
capacidade de percepção de um bebê difere ainda bastante da
de um adulto. Reações do ambiente devem ser imediatas, somente
assim ele pode estabelecer uma relação entre seu proprio
comportamento e o efeito, ou seja, a ação dos pais.
Uma
reação imediata às suas necessidades e seus sinais cria
confiança com o ambiente dele.
Ao mesmo tempo, os primeiros sentimentos da própria
efetividade e competência se desenvolvem, e não os de abandono
e desamparo.
Estes
são fatores importantes que acompanham uma união pais-filhos. Ao mesmo tempo nota-se um efeito do lado dos pais também.
Poder traduzir as necessidades do bebê corretamente e
poder reagir de acordo significa sentir competência no novo
papel de pai ou mãe. Isto
reforça a união dos pais para com o seu bebê e a disposição
de perceber seus sinais e reagir a eles. Esta compreensão sensível
do bebê promove por outro lado uma união segura do bebê com
os pais. Inicia-se uma troca cada vez mais forte de confiança e
amor entre pais e filho. Um
estudo com familias cuja situação social deixaria esperar um
desenrolar critico do relacionamento de união, confirmou até
que ponto o carregar o bebê tem efeitos no comportamento dos
pais e desta forma, também na união pais-filho.
Um
grupo de jovens mães recebeu slings com o pedido de usá-los
com regularidade. Os
resultados mostraram que estas mulheres eram mais sensiveis,
mais compreensivas e
mais rápidas nas suas reações às necessidades de seu bebê
do que as mulheres do grupo que não usava slings.
Na idade de um ano, as crianças carregadas estavam bem
unidas com seus pais. O
relacionamento nas familias que não usaram slings correspondia
principalmente à uma situação desfavoravel esperada do
relacionamento de pais-filho.
Como
melhor carregar
Claro
que carregar um bebê por tempo prolongado quase não é possível
sem auxilio de aparelhos/panos e, a principio, os cangurus que
estão aparecendo agora em Cairo parecem ir ao encontro das
necessidades do bebê. Entretanto, uma profilaxia da displasia do quadril somente
pode ser obtida se esses meios de carregar forçarem uma posição
corporal indicada. E
aí a maioria das bolsas de carregar peca ainda.
O pano entre as coxas está muito estreito na maioria dos
casos de forma que as perninhas ficam penduradas retas em vez de
forçar uma posição de cócoras. Também necessário é um bom
apoio nas costas para que o bebê não escorregue. Nos
primeiros seis meses de vida o bebê não pode se erger sozinho
ainda mas precisa do corpo dos pais para se escorar e erger.
Isto, porém, só é possível se o bebê está bem escorado e
apertado contra o corpo dos pais pela bolsa de carregar.
Tanto
a técnica de amarração como o carregar no canguru mantem as
perninhas do bebê bem dobradas e abertas, ideal para o
amadurecimento da junta do quadril infantil.
Perninhas retas, ao contrario, provocam uma pressão não
centrada da cabeça do femur a cavidade da junta do quadril que
desta forma pode se achatar mais e mais. A técnica de amarrar o
bebê com faixas, prendendo braços e pernas, era tido como
promover o crescimento reto.
Mas só aumentava os casos de displasias do quadril ou até
luxações. O mesmo se refere aos travesseiros antigamente
usados dentro dos quais os bebês ficavam deitados numa posição
bem reta. Infelizmente
tais costumes não pertencem ao passado conforme mostram fotos
de berçários de hospitais, especialmente do leste europeu.
Embrulhados em panos, quase não podendo se mexer, os bebês
podem ser até mais calmos em relação a outros mas o preço é
o aumento de casos de displasias.
E como parece, também no Egito a pratica de enfaixar os
bebês está sendo usada.
Objeções
infundadas contra o carregar
Pesquisas
até agora comprovam que o carregar é um método explicitamente
indicado no cuidado com crianças.
Mas o carregar ainda encontra opiniões céticas
principalmente nos primeiros meses de vida e os pais recebem
conselhos enérgicos para não os carregar.
Suspeita-se
de dificuldades na respiração ou danos na coluna se o carregar
começa antes que a criança possa sentar sozinha.
Ambas as duvidas foram desfeitas por diversas pesquisas. A percentagem de defeitos da coluna ou postura em crianças
carregadas (mesmo mais que seis horas sentadas nos cangurus
etc.) não é nem um pouco maior, também em crianças de mais
idade, do que em crianças que não foram carregadas. E o
suprimento de oxigênio também
é suficiente.
Considerando
os varios efeitos positivos reconhecidos do carregar ao
desenvolvimento infantil, muitos berçários e unidades para
prematuros adotaram este método de cuidados com os bebês.
Muitas vezes, principalmente nos paises em
desenvolvimento, crianças prematuras quase não tinham chances
de sobrevivência por causa das instalações precárias das
clinicas onde muitas vezes faltavam incubadoras em quantidade
suficiente. Alguns médicos fizerem da necessidade uma virtude,
e pais ou enfermeiras amarravam os bebês ao corpo com o feliz
resultado que assim se aumentava a chance de sobrevivência dos
prematuros.
No
meio tempo, estudos ajudaram a desvendar as causas do
desenvolvimento melhor geral.
Descobriram-se fatores da fisiologia do metabolismo que
baixavam a inclinação ao estresse. Bebês prematuros conseguem aproveitar melhor o alimento se
mantidos em contato corporal do que prematuros que permanecem a
maior parte do tempo dentro de incubadoras sem contato corporal.
Isto também foi comprovado a nível da fisiologia do
metabolismo. Pesquisas
subseqüentes mostraram que estas crianças, mais tarde,
mostraram aptidões melhores para auto-regulamento e que as relações
pais-criança era bem melhor.
Os
conhecimentos dos últimos anos provam que os medos e objeções
tão difundidos contra o carregar em posição ereta são
infundados. Ao contrario, cada vez mais se cristalizam as
vantagens. Certamente, mesmo sem carregar, pode-se passar
carinho e proximidade corporal ao bebê.
Mas não devemos deixar de lado algumas considerações
praticas. Cuidar de um bebê significa aceitar uma ocupação de
24 horas. Cuidar ao mesmo tempo de uma casa, eventualmente ainda
de outros filhos, significa muitas vezes – especialmente
quando se trata de bebês muito carentes – uma sobrecarga das
mães até o limite da capacidade delas. Amarrar o bebê ao
corpo é uma possibilidade de proporcionar ao tragling a
quantidade necessária de contato corporal podendo ao mesmo
tempo cuidar das demais tarefas diárias
O
medo de que o bebê seria totalmente mimado pelo carregar, ou até
que será “difícil tira-lo da saia da mãe” mais tarde,
pertence ao mundo dos contos de fada.
Pesquisas comparativas feitas em diversas culturas
mostraram que crianças que receberam muito contato e
proximidade corporal durante o primeiro ano de vida, ficavam autônomas
mais cedo que em outras culturas.
Carregar
significa satisfazer a necessidade básica do bebê de
proximidade e promover a relação segura com os pais com
liberdade de movimento para a pessoa encarregada dos cuidados
com a criança.
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Fonte:
http://www.papyrus-magazin.de/archiv/2002_2003/november/11_12_2002_tragen.html
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